O que as Marcas e as Cicatrizes Nos Contam

 

Todas as nossas marcas contam
histórias.

Algumas ficam visíveis na
pele, como as cicatrizes e as tatuagens.

Outras permanecem escondidas,
guardadas na memória, no coração e na alma.

Cada uma delas representa
momentos que vivemos, escolhas que fizemos, fases que atravessamos e
experiências que contribuíram para nos transformar em quem somos.

Durante muito tempo, muitas
pessoas desejam apagar algumas marcas da própria história.

Talvez porque elas lembrem
momentos difíceis, decisões tomadas no passado ou versões de nós mesmos com as
quais já não nos identificamos mais.

Mas aprendi que nem sempre
devemos rejeitar aquilo que fez parte da nossa caminhada.

Algumas marcas não precisam
ser apagadas; precisam ser compreendidas, aceitas e ressignificadas.

Quando passamos por momentos
desafiadores na vida, o processo pelo qual atravessamos deixa marcas.

Algumas são externas e
visíveis; outras são internas e silenciosas.

Elas ficam registradas na
nossa memória como lembranças de tudo o que enfrentamos e superamos.

O mais importante não é negar
essas marcas, mas reconhecer que elas fizeram parte de um processo de
crescimento.

Um exemplo dessas marcas são
as tatuagens.

Muitas vezes, escolhemos
tatuar algo em um determinado momento da vida porque aquela imagem ou palavra
representa um sentimento, uma conquista, uma fase ou um propósito.

Naquele instante, aquilo faz
sentido para nós.

Porém, a vida muda. Nós
mudamos. Nossos pensamentos, nossas prioridades e nossa forma de enxergar o
mundo também se transformam.

E, algumas vezes, aquela marca
que um dia representou algo importante passa a não refletir mais quem somos.

Foi exatamente essa reflexão
que me levou a olhar para as minhas próprias tatuagens e questionar o
significado que elas tinham na minha história.

Eu tenho algumas tatuagens, e
cada uma delas nasceu em uma fase diferente da minha vida.

Minha primeira tatuagem foi
feita em 2024.

Escolhi uma pequena borboleta
azul no pulso.

Ela representa transformação,
leveza e renovação, e, em nenhum momento, senti arrependimento por tê-la feito.

Depois dela, veio a vontade de
registrar uma nova fase relacionada ao meu interesse pela Nutrição.

Sempre tive cuidado com a
alimentação e sempre me interessei por uma vida mais saudável, buscando
equilíbrio entre o corpo e o bem-estar.

Por isso, comecei a estudar
Nutrição em um curso semipresencial.

Naquele período, surgiu a
vontade de tatuar a palavra “Nutrition”, que significa Nutrição em
inglês, como símbolo dessa nova etapa.

A escolha do idioma também
tinha um significado especial, pois a língua inglesa sempre esteve presente na
minha vida.

Durante muitos anos, o inglês
fez parte da minha trajetória profissional, já que também atuei como professora
dessa língua.

Essa tatuagem representava uma
homenagem a uma nova descoberta e também a uma parte importante da minha
história.

Entretanto, durante esse
caminho, a Psicanálise surgiu de uma forma muito significativa para mim.

O interesse pelo estudo da
mente humana e do comportamento despertou uma nova paixão, e decidi mudar minha
trajetória acadêmica.

Foi uma das melhores escolhas
que fiz.

Estudar a mente, as emoções e
os comportamentos humanos me fascina.

A Psicanálise e a literatura,
para mim, caminham juntas, pois ambas nos ajudam a compreender histórias,
sentimentos e a complexidade do ser humano.

Mesmo tendo mudado de caminho,
continuo valorizando a importância da alimentação saudável e do cuidado
integral com o ser humano, pois acredito que corpo, mente e espírito estão
conectados e nenhum deles deve ser negligenciado.

Para termos uma mente
saudável, também precisamos cuidar do corpo que nos sustenta.

Depois de tatuar
“Nutrition”, senti vontade de homenagear também minha primeira
formação: Letras.

Por isso, tatuei a palavra
“Letters”, abaixo da primeira palavra, no mesmo ombro.

Essas duas tatuagens
representavam fases importantes da minha caminhada: a educação, o conhecimento
e a busca por novos caminhos.

Antes delas, porém, fiz uma
tatuagem muito especial: a palavra “Shalom”, em hebraico, na região
do colo.


         “Shalom” significa
paz.

Naquele momento da minha vida,
era exatamente isso que eu mais buscava — e continuo acreditando que todos nós
precisamos de paz para viver.

Em 2025, vivi um período de
muitos desafios, mudanças e aprendizados.

Foi um ano que me marcou
profundamente e que trouxe muitas reflexões sobre quem eu era, quem eu estava
me tornando e quais caminhos eu realmente desejava seguir.

Foi nesse mesmo ano que
aconteceu algo simples, mas que chamou a minha atenção.

Em um dia comum de trabalho,
uma folha seca pousou sobre mim.

Pode parecer algo pequeno, mas
naquele momento aquilo despertou uma reflexão.

Senti que havia um significado
naquela experiência e fui pesquisar sobre o simbolismo da folha seca.

Descobri que ela representa o
encerramento de ciclos, a transitoriedade da vida e a renovação.

Aquilo conversou profundamente
com o momento que eu estava vivendo.

A folha seca me lembrou que
tudo na vida possui fases: algumas começam, outras terminam, e cada uma delas
deixa um aprendizado.

No dia seguinte, procurei um
tatuador e decidi registrar aquela imagem na parte interna do meu braço
direito.

O tatuador sugeriu um desenho
maior, mas eu sempre preferi algo mais delicado e discreto.

Chegamos a um tamanho que
representava aquilo que eu desejava, e fiquei satisfeita com o resultado.

Depois dessa tatuagem, surgiu
a vontade de fazer outra, mas dessa vez não por um significado simbólico ou por
um sinal que eu havia percebido.

Foi uma escolha mais pessoal,
um desejo momentâneo.

Comecei a pesquisar imagens
delicadas e pequenas e encontrei duas que chamaram minha atenção: uma xícara e
um coração com uma flecha.

Levei as imagens ao tatuador,
ainda em dúvida sobre qual escolher. No final, acabei fazendo as duas.

Quando terminei, confesso que
senti estranheza.

Olhei para o meu corpo e
pensei que talvez tivesse colocado informações demais nele.

Naquele momento, cheguei até a
dizer ao tatuador que aquelas seriam minhas últimas tatuagens.

E realmente foram.

No começo, precisei de um
tempo para me acostumar com elas.

Mas, com o passar do tempo,
aprendi a acolhê-las como parte da minha história.

A xícara representa despertar,
atenção e foco.

O coração representa o amor.

Cada imagem carrega um
significado, mesmo aquelas que surgiram de uma vontade momentânea.

Porque, no final, toda escolha
deixa uma marca.

As marcas carregam lembranças,
memórias de momentos que não voltam mais, mas que fizeram parte da nossa
trajetória.

Em 2026, especialmente no mês
de julho, comecei a sentir vontade de remover algumas tatuagens, principalmente
as mais expostas: as do ombro, como as palavras “Nutrition” e
“Letters”, e também o coração.

O motivo era simples: comecei
a sentir que meu corpo estava com muitas informações.

Sempre gostei da ideia de que
menos pode ser mais e acredito que o equilíbrio é importante em todas as áreas
da vida.

Porém, antes de tomar qualquer
decisão definitiva, precisei enfrentar o processo de remoção.

Na primeira sessão, tive uma
experiência que me fez refletir profundamente.

O procedimento foi doloroso e
cansativo.

Meu corpo reagiu com
inflamação, desconforto, dores musculares nos ombros, cansaço e outros sinais
de que aquele processo estava sendo difícil para mim.

Naquele mesmo dia, percebi
algo importante.

Meu corpo estava falando
comigo.

E eu precisava ouvi-lo.

Foi então que decidi não
continuar a remoção.

Entendi que aquelas marcas já
faziam parte de mim, da minha história e da pessoa que me tornei.

Se eu as apagasse
completamente, talvez sentisse que estava apagando também uma parte da minha
caminhada.

Elas não eram apenas
tatuagens.

Elas eram registros de fases
da minha vida, das minhas escolhas, dos meus aprendizados e das transformações
pelas quais passei.

Aprendi que algumas marcas não
precisam desaparecer para que possamos seguir em frente.

Algumas precisam apenas ser
aceitas.

Quando conseguimos olhar para
nossa história com carinho e respeito, percebemos que cada fase teve sua
importância.

As marcas e as cicatrizes nos
lembram que sobrevivemos aos momentos difíceis, que crescemos e que nos
tornamos mais fortes através das experiências vividas.

Hoje, olhando para toda essa
experiência, compreendo que as marcas e as cicatrizes têm muito a nos ensinar.

Elas nos lembram que o passado
não precisa ser apagado; ele precisa ser compreendido.

Tudo aquilo que vivemos
contribuiu, de alguma forma, para a construção da pessoa que somos hoje.

Querer apagar completamente
algumas marcas pode significar, muitas vezes, rejeitar uma parte da nossa
própria história.

E a nossa história, com seus
acertos, erros, mudanças e recomeços, merece ser acolhida.

Cada fase da vida teve um
propósito.

As escolhas que fiz, os
caminhos que percorri, as mudanças de planos e até os momentos em que percebi
que precisava mudar de direção fizeram parte do meu processo de crescimento.

Hoje, sigo mais consciente e
feliz com essa nova versão de mim mesma.

A experiência com as tatuagens
me ensinou que devemos pensar com cuidado antes de tomar decisões permanentes. 

Afinal, os sentimentos, os desejos e as fases da vida podem mudar.

Uma tatuagem pode representar
algo muito especial em determinado momento, mas é importante refletir se aquele
significado continuará fazendo sentido no futuro.

Além disso, é fundamental
buscar informações, escolher profissionais capacitados e conhecer os cuidados
necessários antes de realizar qualquer procedimento.

Mais do que uma questão
estética, uma tatuagem é uma escolha que ficará registrada no corpo e que
merece ser feita com consciência.

Mas, acima de tudo, aprendi
que as maiores marcas que carregamos não estão apenas na pele.

Elas estão nas experiências
que nos transformaram, nas dificuldades que enfrentamos, nas perdas que
superamos e nos aprendizados que conquistamos.

As cicatrizes são provas da
nossa força e da nossa capacidade de recomeçar.

Elas mostram que passamos por
momentos difíceis e conseguimos seguir adiante.

Por isso, devemos olhar para a
nossa história com mais amor e menos julgamento.

Cada experiência vivida trouxe
algum ensinamento e contribuiu para nossa evolução.

O mais importante é
aprendermos a nos amar e aceitar quem somos, porque a nossa história é única.
Ninguém pode vivê-la por nós.

As marcas e as cicatrizes
contam quem fomos, quem somos e tudo aquilo que ainda estamos nos tornando.

Espero que esta reflexão tenha
tocado você de alguma forma.

Se você também possui marcas
na pele ou na alma, talvez elas tenham uma história para contar.

“Olhe para a sua história com carinho, porque cada experiência fez parte da transformação que moldou quem você é hoje.”

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alguém que precisa dessa mensagem e deixe nos comentários sua opinião sobre
esse assunto.

Vou gostar muito de saber como
você enxerga as marcas e as cicatrizes da sua própria trajetória.

Até a próxima!

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