{"id":235,"date":"2026-09-12T10:39:05","date_gmt":"2026-09-12T10:39:05","guid":{"rendered":"https:\/\/paulavirgo.com\/frederic-bartlett-memoria-comportamento-humano-e-o-poder-de-ressignificar-nossas-experiencia\/"},"modified":"2026-09-12T10:39:05","modified_gmt":"2026-09-12T10:39:05","slug":"frederic-bartlett-memoria-comportamento-humano-e-o-poder-de-ressignificar-nossas-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/paulavirgo.com\/en\/frederic-bartlett-memoria-comportamento-humano-e-o-poder-de-ressignificar-nossas-experiencia\/","title":{"rendered":"Frederic Bartlett: memory, human behavior and the power to re-signify our experience"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"separator\" style=\"clear: both; text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEgLYGT88Tits6pMAFtTqbcY4e2oRjsFdhtc2jdrZkcov3cCaqUfH1YZs8plyZW-EfGtcwx7f0sMTFGDPN02bDtvdQPHDlYQKxN8n3tHq0LGvXjTNDIZ-yCgmb4T8uoPaC321rN8pTfn9haSeRKlyXzWRmLhPmpG3pz4202mI7u9wyDE6X1wyROsfJ8hAJc\/s1569\/Screenshot_20260629_175045_Kindle.jpg\" imageanchor=\"1\" style=\"margin-left: 1em; margin-right: 1em;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" border=\"0\" data-original-height=\"1569\" data-original-width=\"1080\" height=\"640\" src=\"https:\/\/blogger.googleusercontent.com\/img\/b\/R29vZ2xl\/AVvXsEgLYGT88Tits6pMAFtTqbcY4e2oRjsFdhtc2jdrZkcov3cCaqUfH1YZs8plyZW-EfGtcwx7f0sMTFGDPN02bDtvdQPHDlYQKxN8n3tHq0LGvXjTNDIZ-yCgmb4T8uoPaC321rN8pTfn9haSeRKlyXzWRmLhPmpG3pz4202mI7u9wyDE6X1wyROsfJ8hAJc\/w440-h640\/Screenshot_20260629_175045_Kindle.jpg\" width=\"440\" \/><\/a><\/div>\n<p> &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Ol\u00e1, pessoal!<\/p>\n<div>\n<div dir=\"auto\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje vou fazer uma resenha e compartilhar algumas das minhas considera\u00e7\u00f5es sobre o e-book <em>Pioneers of Human Behaviour: Frederic Bartlett: A Gateway to His Life, Theories, and Legacy<\/em>, de Josh Graham.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp;A leitura desse livro me levou n\u00e3o apenas a conhecer melhor a trajet\u00f3ria e as ideias de Frederic Bartlett, mas tamb\u00e9m a refletir sobre a mem\u00f3ria, o comportamento humano, nossas experi\u00eancias e a maneira como interpretamos aquilo que vivemos.<\/p>\n<p><\/p>\n<h2>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Sobre Frederic Bartlett<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frederic Charles Bartlett nasceu em 20 de outubro de 1886, em Gloucestershire, na Inglaterra.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi um psic\u00f3logo brit\u00e2nico e tornou-se, em 1931, o primeiro professor de Psicologia Experimental da Universidade de Cambridge.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua trajet\u00f3ria intelectual n\u00e3o come\u00e7ou diretamente na Psicologia. Bartlett teve contato com \u00e1reas como Filosofia, \u00c9tica, Sociologia e Antropologia, conhecimentos que contribu\u00edram para sua maneira de compreender o comportamento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a inf\u00e2ncia e a juventude, enfrentou problemas de sa\u00fade, incluindo um epis\u00f3dio de pleurisia, e parte de sua educa\u00e7\u00e3o foi realizada em casa.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa circunst\u00e2ncia, por\u00e9m, n\u00e3o impediu seu desenvolvimento intelectual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio, sua trajet\u00f3ria demonstra a import\u00e2ncia da leitura, da curiosidade, da autodisciplina e da independ\u00eancia de pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartlett tamb\u00e9m tinha interesse por esportes e pelo desempenho humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ele, o comportamento n\u00e3o poderia ser compreendido completamente de maneira isolada, pois as pessoas est\u00e3o inseridas em ambientes, rela\u00e7\u00f5es e situa\u00e7\u00f5es que influenciam suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa maneira de pensar acompanharia seu trabalho ao longo da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Bartlett e a mem\u00f3ria<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das contribui\u00e7\u00f5es mais importantes de Bartlett foi sua maneira de compreender a mem\u00f3ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seu livro <em>Remembering<\/em>, publicado em 1932, ele apresentou estudos que ajudaram a mostrar que lembrar n\u00e3o significa simplesmente recuperar uma c\u00f3pia exata de algo que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; A mem\u00f3ria \u00e9 um processo construtivo.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando lembramos de alguma coisa, reconstru\u00edmos essa experi\u00eancia a partir daquilo que j\u00e1 conhecemos, das nossas expectativas, experi\u00eancias anteriores e do contexto em que estamos inseridos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mente humana, portanto, n\u00e3o funciona simplesmente como um dep\u00f3sito de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela organiza, interpreta e reconstr\u00f3i.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns detalhes podem permanecer bastante precisos. Outros podem ser esquecidos, reorganizados ou interpretados de maneira diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartlett demonstrou isso de maneira bastante conhecida em seus estudos com a hist\u00f3ria <em>The War of the Ghosts<\/em>.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao contar novamente uma narrativa que continha elementos pouco familiares, os participantes frequentemente modificavam determinados aspectos para torn\u00e1-los mais compreens\u00edveis dentro de seus pr\u00f3prios referenciais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ideia me chamou muito a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Afinal, quantas vezes contamos uma hist\u00f3ria que aconteceu conosco e, anos depois, percebemos que a maneira como a lembramos j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 exatamente igual \u00e0 maneira como a vivenciamos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; O conceito de esquema<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos conceitos mais importantes associados a Bartlett \u00e9 o de <strong>esquema<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De maneira simplificada, podemos compreender o esquema como uma organiza\u00e7\u00e3o ativa de experi\u00eancias anteriores que participa da maneira como percebemos, compreendemos, agimos e lembramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se uma hist\u00f3ria cont\u00e9m elementos familiares, provavelmente ser\u00e1 mais f\u00e1cil compreend\u00ea-la e lembr\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando alguma coisa n\u00e3o se encaixa em nossas experi\u00eancias ou expectativas, podemos reinterpret\u00e1-la de acordo com aquilo que j\u00e1 conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, o esquema n\u00e3o deve ser entendido simplesmente como um arquivo de informa\u00e7\u00f5es guardado na mente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 algo mais din\u00e2mico, relacionado \u00e0 nossa maneira de interagir com o mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada pessoa possui experi\u00eancias diferentes, conhecimentos diferentes, expectativas diferentes e uma hist\u00f3ria pr\u00f3pria.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, duas pessoas podem vivenciar uma situa\u00e7\u00e3o semelhante e, posteriormente, lembrar-se dela de maneiras diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O passado n\u00e3o chega at\u00e9 n\u00f3s de maneira completamente neutra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele pode ser reorganizado quando o lembramos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pensemos, por exemplo, em uma fam\u00edlia contando novamente um acontecimento ocorrido muitos anos atr\u00e1s.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar do tempo, alguns detalhes podem ser esquecidos, outros podem ganhar novos significados e alguns acontecimentos podem ser enfatizados ou suavizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa necessariamente que exista uma inten\u00e7\u00e3o consciente de alterar a hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A pr\u00f3pria natureza reconstrutiva da mem\u00f3ria pode contribuir para essas transforma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Mem\u00f3ria, aprendizagem e comunica\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa ideia de Bartlett tamb\u00e9m me fez pensar sobre a aprendizagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A aprendizagem n\u00e3o acontece simplesmente porque uma informa\u00e7\u00e3o foi transmitida para algu\u00e9m.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para que ela seja realmente compreendida, precisamos relacion\u00e1-la com aquilo que j\u00e1 conhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, acredito que professores n\u00e3o sejam apenas transmissores de informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um professor tamb\u00e9m ajuda o aluno a reorganizar conhecimentos anteriores e estabelecer novas rela\u00e7\u00f5es entre aquilo que j\u00e1 conhece e aquilo que est\u00e1 aprendendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias anteriores, a linguagem, a cultura e os conhecimentos j\u00e1 adquiridos podem facilitar a compreens\u00e3o de novos conte\u00fados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa perspectiva tamb\u00e9m pode ser \u00fatil para professores, treinadores, escritores, comunicadores e para qualquer pessoa que utilize a comunica\u00e7\u00e3o como uma ferramenta de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Bartlett e o comportamento humano<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bartlett n\u00e3o estava interessado somente em descobrir como as pessoas lembravam do passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu trabalho tamb\u00e9m envolvia quest\u00f5es relacionadas \u00e0 percep\u00e7\u00e3o, ao pensamento, \u00e0 habilidade, \u00e0 cultura, \u00e0 propaganda, ao trabalho, ao cansa\u00e7o e ao desempenho humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele procurava compreender como as pessoas pensam, agem, aprendem, se adaptam e enfrentam situa\u00e7\u00f5es do mundo real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso demonstra uma caracter\u00edstica que considero muito interessante em Bartlett: ele valorizava o m\u00e9todo experimental, mas n\u00e3o queria separar a Psicologia da vida cotidiana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua trajet\u00f3ria mostra uma tentativa de compreender o ser humano dentro de situa\u00e7\u00f5es concretas, levando em considera\u00e7\u00e3o a experi\u00eancia, a cultura e o ambiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Mem\u00f3ria, imagina\u00e7\u00e3o e identidade<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A leitura tamb\u00e9m me fez refletir sobre a rela\u00e7\u00e3o entre mem\u00f3ria e identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma hist\u00f3ria pessoal nunca \u00e9 simplesmente armazenada na mente como um arquivo que permanece exatamente igual para sempre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que vivemos novas experi\u00eancias, podemos atribuir novos significados \u00e0s experi\u00eancias anteriores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma dor que foi muito intensa no passado pode, com o passar do tempo, tornar-se uma lembran\u00e7a menos dolorosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A saudade pode mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um conflito antigo pode deixar de provocar o mesmo sentimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma experi\u00eancia dif\u00edcil pode passar a ser vista tamb\u00e9m como uma oportunidade de aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para mim, entretanto, existe uma diferen\u00e7a importante: <strong>o fato marcante continua sendo uma lembran\u00e7a. O que pode mudar \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o que temos diante dele.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo pode amenizar a dor, suavizar a lembran\u00e7a e criar uma dist\u00e2ncia entre n\u00f3s e aquilo que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos sabendo o que aconteceu, continuamos lembrando, mas aquela experi\u00eancia pode deixar de ocupar o mesmo espa\u00e7o dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi justamente nesse ponto que comecei a relacionar as ideias de Bartlett com algumas experi\u00eancias da minha pr\u00f3pria vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recontar \u00e9 reviver<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na minha opini\u00e3o, alguns acontecimentos s\u00e3o inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto os momentos felizes quanto aqueles que nos causaram sofrimento podem permanecer em nossa mem\u00f3ria por muitos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas experi\u00eancias deixam marcas t\u00e3o profundas que podemos carreg\u00e1-las durante toda a vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo, muitas vezes, consegue amenizar a dor, mas n\u00e3o necessariamente apaga a lembran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia permanece, e junto dela pode permanecer tamb\u00e9m a li\u00e7\u00e3o e o aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi pensando nisso que cheguei a uma frase que resume muito do que senti:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recontar \u00e9 reviver.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o pessoal minha, baseada naquilo que vivi.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando contamos repetidamente uma hist\u00f3ria dolorosa, podemos acabar retornando emocionalmente \u00e0quele acontecimento.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez que contamos, precisamos organizar novamente os fatos, lembrar dos detalhes e colocar em palavras aquilo que aconteceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento, encontrei uma maneira pessoal de lidar com isso: gravei um v\u00eddeo contando um fato marcante e frustrante que havia acontecido comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colocar aquela experi\u00eancia em palavras, diante de uma c\u00e2mera, teve para mim um significado diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi como tirar de dentro de mim algo que estava pesado e deixar aquela hist\u00f3ria registrada, sem precisar continuar contando-a repetidamente para outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de gravar, senti que havia colocado para fora aquilo que precisava ser dito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O acontecimento n\u00e3o desapareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mem\u00f3ria tamb\u00e9m n\u00e3o desapareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas a rela\u00e7\u00e3o que passei a ter com aquela lembran\u00e7a mudou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi como dizer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u201cIsso aconteceu. Eu vivi. Aprendi. E agora posso seguir em frente.\u201d<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Quando encontrei a escrita<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quero acrescentar aqui outra experi\u00eancia muito pessoal, porque ela tamb\u00e9m se relaciona com a minha reflex\u00e3o sobre mem\u00f3ria, lembran\u00e7a e a maneira como lidamos com aquilo que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu confesso que j\u00e1 fiz muita terapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, em algumas experi\u00eancias eu sa\u00eda das sess\u00f5es me sentindo pior do que quando havia entrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00eda com a cabe\u00e7a pesada, emocionalmente cansada e com a sensa\u00e7\u00e3o de que havia mexido novamente em coisas que ainda me incomodavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Principalmente quando o assunto envolvia acontecimentos que me irritavam ou que haviam sido muito dolorosos para mim, eu sentia que precisava voltar \u00e0queles fatos, cont\u00e1-los novamente, explicar os detalhes e reviver, atrav\u00e9s das palavras, aquilo que havia acontecido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi ent\u00e3o que percebi algo que passou a fazer muito sentido para mim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Recontar \u00e9 reviver.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que toda terapia funcione dessa maneira ou que falar sobre experi\u00eancias dif\u00edceis seja necessariamente prejudicial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, para mim, naquele momento da minha vida, continuar contando determinadas hist\u00f3rias repetidamente n\u00e3o estava me fazendo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, decidi interromper as terapias que estava fazendo e procurar outro caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passei a estudar psican\u00e1lise, a estudar a mente e o comportamento humano e, principalmente, a observar a mim mesma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais eu estudava, mais vontade tinha de compreender aquilo que acontecia dentro de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi nesse processo que encontrei algo que se tornou muito importante para mim:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>a escrita.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na escrita encontrei uma forma de express\u00e3o que me permitia colocar para fora aquilo que eu sentia sem precisar necessariamente contar a mesma hist\u00f3ria v\u00e1rias vezes para algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu podia escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podia organizar meus pensamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podia colocar sentimentos em palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podia olhar para determinado acontecimento de outra perspectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, principalmente, podia terminar de contar aquela hist\u00f3ria quando sentisse que havia dito tudo o que precisava dizer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que a escrita se tornou, para mim, uma forma de express\u00e3o e de elabora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o digo isso como uma receita para outras pessoas, mas como uma experi\u00eancia que funcionou comigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escrita me ajudou e me ajuda a transformar aquilo que um dia foi apenas dor em reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Como nasceu a escrita e o prop\u00f3sito do blog<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando comecei a estudar psican\u00e1lise, a mente e o comportamento humano, aconteceu algo que eu n\u00e3o esperava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Senti uma necessidade muito grande de escrever tudo aquilo que estava aprendendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu queria registrar meus estudos, organizar meus pensamentos e colocar em palavras aquilo que estava descobrindo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto mais eu estudava, mais assuntos surgiam e mais vontade eu tinha de escrever.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento, percebi que n\u00e3o queria guardar esse aprendizado somente para mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comecei a ter vontade de compartilhar aquilo que estava aprendendo, n\u00e3o apenas como uma forma de registrar meus estudos, mas tamb\u00e9m com o desejo de que pudesse ajudar outras pessoas que tivessem interesse nesses assuntos ou que estivessem passando por questionamentos semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Foi assim que surgiu o blog.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, o blog faz parte da minha rotina, dos meus estudos e do meu trabalho.&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, com ele, o estudo tamb\u00e9m \u00e9 cont\u00ednuo: minhas leituras, minhas pesquisas, minhas reflex\u00f5es e tudo aquilo que vou aprendendo encontram na escrita uma forma de organiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O blog se tornou uma ponte entre os meus pensamentos, os meus estudos e a minha express\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquilo que antes ficava apenas dentro de mim encontra, atrav\u00e9s das palavras, um caminho para chegar a outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Eu estudo, leio, reflito, escrevo e compartilho.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse processo, percebo que escrever n\u00e3o \u00e9 apenas uma maneira de transmitir conhecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 tamb\u00e9m uma maneira de me expressar, organizar meus pensamentos e compreender melhor aquilo que estou vivendo e aprendendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O conhecimento que chega at\u00e9 mim encontra na escrita uma forma de sair de mim e chegar a outras pessoas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez seja justamente essa uma das coisas mais bonitas da escrita: aquilo que come\u00e7a como uma experi\u00eancia individual pode encontrar significado para outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pensamento pode despertar outro pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma experi\u00eancia pode provocar uma reflex\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma palavra pode ajudar algu\u00e9m a compreender algo que ainda n\u00e3o conseguia explicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, hoje vejo o blog n\u00e3o apenas como um espa\u00e7o para publicar textos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Vejo-o como uma ponte.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma ponte entre aquilo que estudo e aquilo que penso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre aquilo que sinto e aquilo que consigo expressar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre a minha experi\u00eancia e a experi\u00eancia de quem l\u00ea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, principalmente, uma ponte entre o conhecimento que estou construindo e as pessoas que tamb\u00e9m t\u00eam curiosidade, d\u00favidas e interesse em compreender melhor a mente e o comportamento humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escrita nasceu de uma necessidade pessoal de express\u00e3o, mas hoje ela tamb\u00e9m representa uma vontade cont\u00ednua de compartilhar, aprender e, de alguma maneira, ajudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;A escrita como express\u00e3o<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">E foi a partir dessa experi\u00eancia pessoal que comecei a perceber algo que pode ser comum a muitos de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quando escrevemos, colocamos para fora aquilo que muitas vezes n\u00e3o conseguimos expressar falando.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escrita pode nos ajudar a organizar pensamentos confusos, dar nome aos sentimentos e encontrar palavras para aquilo que parecia imposs\u00edvel de explicar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando escrevemos, podemos nos expressar com mais liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o precisamos interromper nosso pensamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o precisamos encontrar imediatamente a palavra certa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos escrever, apagar, reescrever, refletir e olhar novamente para aquilo que colocamos no papel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, s\u00f3 o fato de transformar um sentimento em palavras j\u00e1 nos permite enxerg\u00e1-lo de outra maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos escrever sobre uma dor, uma frustra\u00e7\u00e3o, uma saudade, uma decep\u00e7\u00e3o ou uma experi\u00eancia feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos contar uma hist\u00f3ria que nunca conseguimos contar para ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos colocar para fora aquilo que estava preso dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, ao escrever, tamb\u00e9m podemos perceber que aquilo que sent\u00edamos de uma determinada maneira talvez possa ser compreendido de outra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A escrita n\u00e3o apaga o que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas pode nos ajudar a organizar aquilo que vivemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela pode transformar sentimento em palavra, experi\u00eancia em reflex\u00e3o e lembran\u00e7a em aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi assim que passei a enxergar a escrita: n\u00e3o apenas como uma forma de registrar acontecimentos, mas tamb\u00e9m como uma forma de express\u00e3o e de compreens\u00e3o de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, quando come\u00e7amos a compreender melhor a n\u00f3s mesmos, tamb\u00e9m podemos come\u00e7ar a compreender melhor o comportamento das outras pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; Compreender a n\u00f3s mesmos e compreender o outro<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse processo de estudo n\u00e3o nos leva apenas a olhar para dentro de n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando estudamos a mente, a psican\u00e1lise e o comportamento humano, tamb\u00e9m passamos a observar melhor as pessoas ao nosso redor e a tentar compreender os motivos por tr\u00e1s de determinados comportamentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos a perceber que nem todo conflito que vivemos significa necessariamente que existe algo errado conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, passamos muito tempo tentando descobrir onde erramos, o que fizemos de errado ou por que determinada pessoa nos trata de determinada maneira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, quando come\u00e7amos a compreender melhor o comportamento humano, percebemos que algumas atitudes podem estar relacionadas \u00e0s pr\u00f3prias dificuldades, conflitos, experi\u00eancias e padr\u00f5es de comportamento da outra pessoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa compreens\u00e3o pode mudar completamente a maneira como interpretamos determinadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todo conflito precisa ser colocado sobre os nossos ombros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todo comportamento que algu\u00e9m dirige a n\u00f3s \u00e9 consequ\u00eancia de algo que fizemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda rejei\u00e7\u00e3o significa que n\u00e3o temos valor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda cr\u00edtica significa que estamos errados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todo conflito precisa ser interpretado como uma falha nossa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m aprendemos que compreender o comportamento de algu\u00e9m n\u00e3o significa justificar aquilo que essa pessoa faz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos compreender sem aceitar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos ter empatia sem permitir que algu\u00e9m nos fa\u00e7a mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos tentar entender a hist\u00f3ria de uma pessoa sem carregar a responsabilidade pelas escolhas dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E existe ainda outra reflex\u00e3o importante:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0s vezes, as pessoas que mais nos julgam tamb\u00e9m s\u00e3o aquelas que mais precisam olhar para si mesmas.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa que toda cr\u00edtica seja injusta ou que toda pessoa que nos critica tenha algum problema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica tamb\u00e9m pode ser necess\u00e1ria e nos ajudar a perceber aquilo que precisamos melhorar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas existem julgamentos que dizem mais sobre quem julga do que sobre quem est\u00e1 sendo julgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, apontamos no outro aquilo que n\u00e3o conseguimos reconhecer em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, condenamos comportamentos que tamb\u00e9m fazem parte dos nossos pr\u00f3prios conflitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, exigimos dos outros uma perfei\u00e7\u00e3o que n\u00e3o conseguimos alcan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, estudar o comportamento humano tamb\u00e9m nos ensina a olhar para n\u00f3s mesmos antes de apontar o dedo para algu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Antes de julgarmos o outro, precisamos ter coragem de observar a n\u00f3s mesmos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><br \/><\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Perdoar e deixar ir<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de todas essas reflex\u00f5es sobre mem\u00f3ria, comportamento, experi\u00eancias e julgamentos, cheguei a uma conclus\u00e3o que considero muito importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem toda cr\u00edtica precisa encontrar morada dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cr\u00edtica pertence a quem a faz. Podemos ouvi-la, refletir sobre ela e, se houver algo que possamos aprender, aproveitar esse aprendizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o precisamos permitir que a opini\u00e3o do outro determine quem somos ou passe a fazer parte da nossa identidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamos aprender a separar aquilo que realmente nos pertence daquilo que pertence ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada pessoa carrega uma hist\u00f3ria que desconhecemos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carrega dores, medos, frustra\u00e7\u00f5es, inseguran\u00e7as, experi\u00eancias e conflitos internos que muitas vezes n\u00e3o conseguimos enxergar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, talvez algumas pessoas nos julguem, nos critiquem ou nos tratem de determinada maneira n\u00e3o porque exista algo de errado conosco, mas porque elas tamb\u00e9m est\u00e3o lutando com aquilo que carregam dentro de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o significa aceitar desrespeito ou permitir que algu\u00e9m nos fa\u00e7a mal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Significa apenas n\u00e3o carregar para dentro de n\u00f3s aquilo que pertence ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse sentido, o perd\u00e3o pode ser libertador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perdoar n\u00e3o significa dizer que o que aconteceu foi certo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o significa esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o significa permitir que a mesma pessoa volte a nos machucar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Perdoar pode simplesmente significar deixar de carregar aquela hist\u00f3ria como um peso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Podemos reconhecer o que aconteceu, aprender com aquilo, estabelecer nossos limites e seguir em frente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas pessoas permanecer\u00e3o em nossa vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras seguir\u00e3o caminhos diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas nos deixar\u00e3o boas lembran\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outras nos deixar\u00e3o aprendizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez esteja tudo bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nem todas as hist\u00f3rias precisam continuar sendo contadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas precisam apenas ser compreendidas, aprendidas e deixadas no passado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;Quando a dor nos desperta<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s vezes, a nossa maior dor pode tamb\u00e9m se transformar em um despertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pode nos fazer parar, olhar para dentro e perceber que nos afastamos de quem realmente somos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algumas experi\u00eancias dolorosas nos obrigam a buscar for\u00e7as que nem sab\u00edamos possuir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, nesse processo, podemos reencontrar partes de n\u00f3s mesmos que estavam esquecidas: nossos valores, nossos sonhos, nossa identidade, nossas origens e a nossa ess\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Talvez algumas dores n\u00e3o tenham vindo para nos destruir, mas para nos despertar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o precisamos agradecer pela dor nem romantizar aquilo que nos fez sofrer. Mas podemos escolher transformar aquilo que vivemos em aprendizado e crescimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0s vezes, \u00e9 justamente depois de nos perdermos que encontramos o caminho de volta para n\u00f3s mesmos.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E voltar para n\u00f3s mesmos talvez seja uma das formas mais profundas de recome\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; Deixar o passado no passado<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deixar o passado no passado n\u00e3o significa abandonar a nossa hist\u00f3ria. Significa abrir espa\u00e7o para continuar escrevendo a nossa hist\u00f3ria.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E talvez essa seja a grande reflex\u00e3o que levo desta leitura:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Lembrar n\u00e3o significa permanecer preso.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Perdoar n\u00e3o significa esquecer.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Deixar ir n\u00e3o significa perder.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00c0s vezes, deixar ir \u00e9 justamente permitir que o novo entre.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa foi a minha interpreta\u00e7\u00e3o e uma das principais reflex\u00f5es que tirei da leitura de uma parte deste&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e-book.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espero que voc\u00eas tenham gostado desta resenha e das minhas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se gostou, curta, compartilhe e deixe seu coment\u00e1rio contando a sua opini\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>At\u00e9 a pr\u00f3xima, pessoal!<br \/><\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><span face=\"&quot;Arial&quot;,sans-serif\"><\/span><\/p>\n<p><span face=\"&quot;Arial&quot;,sans-serif\"><\/span><\/p>\n<p><span face=\"&quot;Arial&quot;,sans-serif\"><\/span><\/p>\n<p><span face=\"&quot;Arial&quot;,sans-serif\"><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-235","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-uncategorized"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=235"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/235\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/paulavirgo.com\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}